terça-feira, 31 de maio de 2011

Vento

Ao fechar os olhos vejo toda aquela cor... Mas ainda há muita dor. Furacão... Vento...

Tempestade de cores. Misturadas. Inacreditáveis. Estou dentro de uma caixinha preta e quente. O vento sopra desesperado formando espirais. Amarelo. Laranja. Vermelho. Ocre. Marrom. Verde. O inferno está próximo.

Não é confortável viajar nesse avião de papel. O vento sopra ainda mais forte e eu não consigo enxergar o azul nesse emaranhado de cores quentes e cruéis. Parece um dia escaldante de verão dentro de uma caixinha azul.

Não se pode parar. Ainda não há liberdade. Ele levou-a de mim. Triste fim não ter um fim. Não é possível ver. Cegueira cromática. Universo despido do deleite visual.

Uma gota de suor cai sobre o amanhecer daquele dia. Um pingo de arco-íris inundou a caixa azul. O prisma ainda separa a luz branca. Pigmento. Luz cor. Cor luz. Vida luz. Luz da vida.

Um galo canta distante. O cachorro late um vermelho irritante. O galo verde fora de hora. O cão impondo atenção e reclamando por dignidade. Amarelo pode parecer bom... Assim o laranja o deixará mais quente e menos tranqüilo.

Silêncio.

As asas da escuridão percorrem a noite. Os bicos afiados comem todo o azul. O vermelho novamente aparece na forma de espirais ensurdecedoras. O negro penetrou em minha mente. Quero gritar! Mas todos dormem. Quero ver a cor dos meus sonhos, mas só vejo o negro pesadelo. É irritante viver!

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