O último filme a que assisti foi Melancolia (Melancholia), dirigido por Lars Von Trier. Me lembrei dele nesse momento porque me sinto melancólica, mas, comecei a pensar nas referências trazidas por ele. Não estou querendo fazer uma crítica ao filme e nem sei se essas referências são de fato exploradas pelo diretor.
A primeira cena de que me lembrei no momento não foi do filme, mas de alguém dizendo: "ela coloca o dispositivo no peito, enquadra o planeta para ver se ele cresce. A melancolia cresce no peito, faz sentido?" Faz. Hoje Melancolia estaria a ponto de se chocar com a Terra.
A primeira imagem que vi sobre o filme foi aquela em que Justine aparece sobre as águas ainda vestida de noiva. Não parava de pensar n' A misteriosa morte de Ofélia, de Millais, pintada em 1852.
Assim, para mim pensar em Hamlet de Shakespeare foi automático. Hamlet é frequentemente encarado como um personagem filosófico, que expôs idéias agora conhecidas como existencialistas e céticas. Há muito o que dizer a respeito disso. Porém, a cena que habita meus pesadelos atualmente - e que talvez seja a descrição do que é a depressão - é a de uma noiva tentando andar pra frente, atada por plantas nos pés. Claro que se refere ao momento que estou vivendo. Aliás, Justine é a personificação da depressão. Novamente, essa cena descreve algo que me disseram há pouco tempo, como "tentar correr na areia movediça".Von Trier é um dos diretores que mais admiro. Depois de Dogville, Anticristo e agora Melancolia.

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