sexta-feira, 20 de abril de 2012

Ponto final.


Eu estava ensaiando para escrever sobre isso há algumas semanas. Para dizer a verdade, eu não queria escrever sobre isso. Eu não queria pensar nisso. Por isso criei um lindo mundo imaginário no qual eu poderia viver eternamente, sem barreiras e sem um final, com um horizonte invejado por qualquer pintor de paisagem do século XVIII. Um mundo povoado principalmente por amor e arte, minhas paixões. Mas igualmente tinha muita névoa, uma névoa que foi ficando cada vez mais densa, mais espessa. (Gosto de usar sinônimos seguidos para enfatizar a ideia.)

Mas, como toda neurótica, tenho meus momentos de sensatez e de lucidez. Parece que as nuvens saíram do caminho do sol e seu brilho refletido na névoa, que me pareceu à primeira vista deslumbrante, fez com que os caminhos cobertos se abrissem em luz. Tão grande foi a minha surpresa quando me deparei com um mundo amorfo que eu via apenas entre a névoa e o achava fascinante. Não é que o encanto se desfez, pois ele permanece em mim, mas o mundinho construído, imaginado já não existe mais.

E a relação entre o bem e o mal se confunde nesse novo mundo. As mais belas paisagens tornaram-se ao mesmo tempo curiosas e assustadoras. Mas ainda assim eu tive vontade de entrar. Eu sabia que pisaria em um terreno desconhecido que poderia me engolir, mas eu queria seguir em frente. No entanto, de súbito, uma barreira de pedras se levantou do chão arenoso e cobriu meu mundo. Já não era mais uma névoa que o envolvia e não me deixava ver suas paisagens. Ergueu-se uma obstáculo de pedras entre nós. Intransponível.
Assim, só me resta colocar um ponto final, pois o caminho não existe mais. O mundo criado por mim desapareceu, ou melhor, ficou isolado. E eu preciso procurar um outro caminho para andar.

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