sábado, 28 de julho de 2012

Nua


Página de um antigo caderno de desenho, 2003.


Houve um tempo, há muitos anos atrás, que eu desenhava e escrevia. Muito. Sempre escrevi mais do que desenhei e em certo momento, descobri que podia também desenhar com palavras. Hoje não desenho mais, apenas escrevo.

Nunca fui boa desenhista. Nunca consegui usar o desenho para aquilo que eu queria. Desvendo o meu mundo por meio de desenhos de outros. Revivi meu desenho na noite passada, assim como revivi meu passado. Lendo minhas antigas palavras e meus velhos desenhos, percebo que muita coisa mudou e muita coisa permaneceu.

Minhas angústias perante a vida e a arte permanecem. E a dor continua. Hoje estou especialmente triste. Triste porque as cores foram levadas. Feliz porque hoje sei que não fui eu quem desistiu. O azul se foi. Mas eu sei que posso viver sem ele. Hoje compreendo.

Senti-me nua. Estava nua. Mas agora não estou mais trancada entre essas paredes. Um daqueles pontos de interrogação foi diluído e deixou-me sair.
Criamos constantemente. Há algum tempo achei que morreria. Talvez eu tenha morrido. Chegou a hora de renascer verdadeiramente. (Aliás, o que é verdade?)

2 comentários:

  1. Lindos, seus desenhos. Me lembraram um pouco alguns de uma amiga, Thais Galbiati (que aliás faz aniversário hoje), estes, por exemplo:

    http://thais-galbiati.blogspot.com.br/search?updated-max=2012-04-16T02:40:00-07:00&max-results=7

    Obrigado pela visita em nosso blog!

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  2. Que bacana essa visita! Muito obrigada!

    Adorei os desenhos da Thais (e feliz aniversário para ela!)

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