Gerhard Richter, Schaedel mit kerze
Ao fechar os
olhos vejo toda aquela cor... Mas ainda há muita dor... Furacão e vento...
Tempestade de
cores. Misturadas. Inacreditáveis. Estou dentro de uma caixinha preta e quente.
O vento sopra desesperado formando espirais. Amarelo. Laranja. Vermelho. Ocre,
Marrom. Verde. O inferno está próximo.
Não é confortável
viajar nesse avião de papel. O vento sopra ainda mais forte e eu não consigo
enxergar o azul nesse emaranhado de cores quentes e cruéis.
Parece um dia
escaldante de verão dentro de uma caixinha azul. Ainda não há liberdade. “Triste
fim não ter um fim.” Não é possível ver. Cegueira cromática. Universo despido
do deleite visual, o melhor dos sentidos, a melhor das sensações.
Uma gota de suor
cai sobre o fogo escaldante do amanhecer daquele dia. Um pingo de arco-íris
inundou a caixa azul. Pigmento. Luz cor. Cor luz. Vida luz. Luz da vida.
Um galo canta
distante. O cachorro late um vermelho irritante. O galo verde fora de hora.
Amarelo pode parecer bom... Assim o laranja o deixará mais quente e mais tranqüilo.
Silêncio. As
asas da escuridão percorrem a noite. Os bicos afiados comem todo o azul. O
vermelho novamente aparece em forma de espirais ensurdecedores. O negro
penetrou na minha mente. Quero gritar! Mas todos dormem. Quero ver a cor dos
meus sonhos e só vejo o negro pesadelo. É irritante viver!

Com esse texto deu até para sentir as cores ;)
ResponderExcluirDesprendeu-se do mundo.......lindo!
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