sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Furacão: Angústia


Gerhard Richter, Schaedel mit kerze

Ao fechar os olhos vejo toda aquela cor... Mas ainda há muita dor... Furacão e vento...

Tempestade de cores. Misturadas. Inacreditáveis. Estou dentro de uma caixinha preta e quente. O vento sopra desesperado formando espirais. Amarelo. Laranja. Vermelho. Ocre, Marrom. Verde. O inferno está próximo.
Não é confortável viajar nesse avião de papel. O vento sopra ainda mais forte e eu não consigo enxergar o azul nesse emaranhado de cores quentes e cruéis.
Parece um dia escaldante de verão dentro de uma caixinha azul. Ainda não há liberdade. “Triste fim não ter um fim.” Não é possível ver. Cegueira cromática. Universo despido do deleite visual, o melhor dos sentidos, a melhor das sensações.

Uma gota de suor cai sobre o fogo escaldante do amanhecer daquele dia. Um pingo de arco-íris inundou a caixa azul. Pigmento. Luz cor. Cor luz. Vida luz. Luz da vida.
Um galo canta distante. O cachorro late um vermelho irritante. O galo verde fora de hora. Amarelo pode parecer bom... Assim o laranja o deixará mais quente e mais tranqüilo.

Silêncio. As asas da escuridão percorrem a noite. Os bicos afiados comem todo o azul. O vermelho novamente aparece em forma de espirais ensurdecedores. O negro penetrou na minha mente. Quero gritar! Mas todos dormem. Quero ver a cor dos meus sonhos e só vejo o negro pesadelo. É irritante viver!

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